Mente quem diz que a demanda por cargos é menor que os pedidos de obras em comunidades na relação entre legislativo e executivo de qualquer parte do país. Em Cachoeiro, são poucos os vereadores que se revoltam com o governo porque as suas solicitações de construção de muro, calçamento, drenagem, varrição de rua, entre outras não foram atendidas. A relação promíscua já é hábito, infelizmente.
A prefeitura gritou que não suportava mais os inúmeros pedidos, de interesse individual, do PMN; por isso arrancou o DNA desse partido do governo. Se a sigla realmente queria o poder pelo poder, o governo agiu certo; aliás, se pudesse prever, nem deveria a ter escolhido como aliada.
Pelo o que percebi, a prefeitura parte para o enfrentamento contra o PMN e demais partidos que não têm a coletividade e os benefícios à população local em sua ideologia. Não seria uma guerra declarada contra a Câmara, que é uma Casa que abriga vários ideais e deve ser respeitada por todos.
Baseado na declaração do governo, de que o PMN tinha grande apetite por secretarias e cargos, era mais que necessário esse rompimento. A administração corria o risco de orbitar sobre interesses que o distanciariam cada vez mais dos anseios dos cachoeirenses, que estão sempre a esperar pelo retorno dos impostos pagos.
Basta à prefeitura agora utilizar a peneira para identificar os bons políticos da cidade, aqueles que estão dispostos a trabalhar pelo e para o município, independentemente de questões partidárias e projetos políticos futuros que ignoram as ações que devem ser executadas no presente. Deve abraçar a realização do concurso da Câmara, por ser um ato de cumprimento a legislação vigente, e mostrar que organiza a casa para fazer o mesmo no próximo ano.
Voltando à relação com os vereadores, tem algo que é curioso. Quando prefeito, Theodorico Ferraço (DEM) sempre recebeu da câmara 100% de remanejamento sobre o orçamento anual, praticamente não tinha oposição e quem decidiu investigá-lo teve o mandato cassado – que o diga Fábio Mendes Glória (PMDB). Resumindo, Ferraço tinha uma Câmara mais que aliada – não se sabe se por respeito ou temor - e não dependia dela pra nada.
Ao entrar Roberto Valadão (PMDB), tudo mudou. Ser oposição ou situação, e até independente, dependia, na maioria dos casos, de secretarias e cargos. Com Casteglione (PT), sem a experiência política de Valadão e Ferraço, o peso foi ainda maior. E os petistas não podem guardar isso numa caixa preta, devem tornar públicas as ameaças, chantagens e tudo o mais que ocorreu, se realmente aconteceu, é claro.
Agora é o momento das razões, cada um vai apresentar a sua. A arma que parte dos vereadores tem é a Comissão Processante (CP). Ou seja, o prefeito ser afastado faz parte da batalha, e há a possibilidade de transformar o limão em limonada. O que simbolizará o fim da guerra é uma possível constatação do inquérito da Polícia Federal sobre o suposto esquema fraudulento entre a prefeitura e a Impacto. Se isso acontecer, os petistas irão amargar o ácido cítrico por boas décadas.

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