Nesses primeiros dois anos de governo, a impressão que dá é que foi muito difícil para os petistas cachoeirenses identificarem os seus inimigos e os oportunistas. E toda essa tentativa de enxergar o óbvio custou a crucificação de aliados, que hoje pertencem à parcela dos descontentes/decepcionados.
O prefeito Carlos Casteglione ainda tem dois anos de mandato, tempo suficiente para promover uma reviravolta, principalmente administrativa. São muitos os investimentos em curso e por vir. Há R$ 6 milhões, oriundos do Estado, em aplicação; R$ 2,7 milhões para 11 obras e o PAC, que garante R$ 16 milhões para obras essenciais em nove bairros.
Falta ao prefeito descobrir uma espécie de alquimia para transformar as obras e todos os seus benefícios em crescimento gradual de sua avaliação; uma vez que popularidade não é o seu forte. Tem ainda que tratar o Orçamento Participativo (OP) como prioridade de seu governo. Caso não se lembre, ele pregou a mudança em sua campanha política e o OP foi o primeiro traço a marcar o perfil da administração – ainda sem definição.
Já politicamente, vendo o atual cenário – construído há mais de um ano -, Casteglione não tem futuro. A coalisão não forma parceiros; ela somente desfaz ameaças, atende chantagens e adia o rompimento. Neste caso, os petistas juravam ter a maioria na Câmara Municipal, em 2009, até perder a primeira na votação do índice de suplementação no orçamento.
Em 2010, não foi diferente. Quando na eleição da nova mesa diretora do legislativo, a prefeitura quis propagar uma vitória na eleição de Júlio Ferrari (PV). Balela. O governo perdeu o pleito para os próprios ‘aliados’. A partir daí, acabou por perder os originais da base aliada.
Há petistas que dizem que a prefeitura tinha mais de um candidato: Professor Leo (PT), David Loss (PDT) e uma terceira via, que não era Júlio. A pose de vencedor do governo despertou a ira daqueles que entraram na eleição para vencer, e não para posar de figurante. Ao mentir que ganhou com Júlio, acabou por tornar verdade que não apoiou quem acreditava no apoio.
Agora, os vereadores – entre aliados e insatisfeitos – tentam emplacar uma Comissão Processante (CP) contra Casteglione baseados na operação Moeda de Troca da Polícia Federal. Trata-se de um suposto esquema de fraudes em licitações em diversos municípios do estado, entre eles Cachoeiro. A prefeitura tinha contrato com a Impacto, cujo proprietários foram presos na ação policial. A empresa fazia a manutenção dos veículos pesados da municipalidade.
Voltando ao assunto, uma Comissão Processante tem uma grande diferença da Comissão Especial de Inquérito (CEI). A CP dá o poder ao vereador de tirar o prefeito do cargo, enquanto a CEI apura os fatos e encaminha o relatório final às autoridades competentes. Ou seja, os vereadores estão dispostos a colocar o pescoço de Casteglione na guilhotina. A salvação é a celeridade dos trabalhos da Polícia Federal, que pode identificar que Cachoeiro não comungava do esquema criminoso; caso contrário, o inferno. Até lá, muito sangue.
Para contrariar a fé dos petistas, quem fez o requerimento da Comissão Processante foi o vereador Roberto Bastos (PMN), pertencente a um partido ‘aliado’ que tem duas secretarias no governo e mais regalias. Também teriam assinado o documento os ‘aliados’ Marcos Coelho (PMN); Júlio Ferrari e Tenente Moulon, do PV; Professor David Lóss (PDT) – nome apoiado pelo governo nas eleições para a presidência da Câmara - e os adversários José Carlos Amaral e Luisinho Tereré, do DEM; e Pastor Mansur (PSDB).
Caso Casteglione consiga se fortalecer administrativamente, necessariamente, diante da opinião pública, a questão política pode ser resolvida; pois nenhum político fica contra um governante bem avaliado. Só que o problema todo são a CP, que ainda não foi instalada, e as fortes evidências de beneficiamento à empresa Impacto. A briga é feia e está em jogo o mandato, reputação e vida política do prefeito.
Crédito da foto: Prefeitura de Cachoeiro

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