quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cada lugar na sua coisa


 


Há poucos dias, escrevi que politicamente o prefeito de Cachoeiro, Carlos Casteglione (PT), não tinha futuro por conta das alianças tortas construídas desde 2009. Ressaltei ainda as dificuldades que o governo tinha em identificar os seus inimigos e os oportunistas. Pois bem, a administração abriu os olhos e cobrou a fidelidade daqueles que se colocavam como aliados. Resultado: dois partidos foram excluídos do processo.

Na sessão de terça-feira, a oposição provou de sua primeira derrota diante da nova postura do governo Casteglione na relação com os vereadores. Embora o grupo tenha implantado duas CEIs – Impacto e das Tendas -, perdeu na abertura da Comissão Processante, que era o anunciado e o pretendido, uma vez que lhe daria o poder de cassar o mandato do prefeito.

Com as duas CEIs, os parlamentares não farão nada além de suas prerrogativas que é, entre elas, fiscalizar o executivo. Resta ao prefeito Casteglione conceder total abertura no envio de documentos e informações, para que as investigações não sigam por caminhos estreitos e dificultosos. Até porque, quem não deve não pode temer.

O posicionamento da prefeitura serviu para separar aqueles que querem caminhar juntos daqueles que são contrários à ideologia do governo ou só queriam o fruto lucrativo de ser um palaciano. Está claro agora quem é oposição e situação. Mais claro ainda ficará a responsabilidade de cada poder.

Também na sessão de terça, alguns vereadores insinuaram que nenhum projeto de lei de origem da prefeitura seria aprovado. Deu a entender ainda que o Orçamento 2011 pode virar uma colcha de retalhos. Todo edil tem direito de fazer as suas emendas na peça orçamentária, porém não poderá remanejar pondo em risco os investimentos fixados para o próximo ano, mesmo alegando benefícios para os destinos escolhidos.

Cachoeiro é um dos municípios de menor receita do estado. Numa previsão de angariar mais de R$ 300 milhões em 2011, somente R$ 20 milhões, de recursos próprios, são destinados para investimentos. Desses, R$ 15 milhões sustetam o Orçamento Participativo (OP). Ou seja, se a Câmara picotar demais, o OP não funciona. E considerando que a participação popular junto ao OP triplicou de 2009 para 2010, não será de toda inteligência engessá-lo.

A partir de agora é cada poder – legislativo e executivo - fazer a sua parte. Não adianta um parlamentar votar contrário a um projeto acreditando que o fará para prejudicar o prefeito, pois as matérias são voltadas para a população e entidades cachoeirenses. O mesmo vale para o veto do mandatário sobre o projeto de um vereador da oposição.

É mais que urgente (já é tarde, na verdade) o município ser a bandeira de todos os políticos locais. É democrática a discordância político-partidária, mas é criminoso deixar o povo como refém até que atendam todas as solicitações postas. Embora vagarosamente, os cidadãos estão se politizando e já sabem identificar os benfeitores e malfeitores. E aquele que não fizer a sua parte em favor de seus representados, sem dúvida deixará de ser representante.

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