quinta-feira, 27 de março de 2014

PMDB recorre à essência

Não apenas os livros de história registram o papel do MDB na luta pela democracia no Brasil, como quem acompanha a vida política do país sabe disso. Da mesma forma que sabemos que, a partir do P (de partido) a referida sigla desenvolveu tentáculos estranhos ao corpo original (vide a atuação nacional).

Enfim. Nessa quarta (26), o PMDB agiu como há anos não o faz: a executiva estadual iniciou trabalho para ouvir o que os diretórios municipais têm a dizer. É muita coragem. Os peemedebistas, históricos ou não, têm muito o que desabafar - há tempos.

Nesta data citada, o ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon, veio até a residência de Roberto Valadão - maior liderança do partido no estado. E, debaixo do pé de abil, com a presença de diversas lideranças sulinas, debateram a necessidade e a afirmativa de uma candidatura própria. 

O lançamento de um candidato ao governo do Estado pelo partido não é surpresa para este blogueiro. Ora bolas... qual sigla tem um quadro com tantos nomes para disputar todas as vagas que o sistema eleitoral oferece - e com condições de vitória?

O senador Ricardo Ferraço expôs sua vontade de concorrer ao cargo de governador. Não fingo reconhecer sua inteligência e capacidade para gerenciar o Estado. Mas, ele já está 'agraciado' na função de senador, a qual lhe resta mais quatro anos. E digo 'agraciado', porque o mandato de senador - 8 anos - deixa em dúvida São Pedro na hora de liberar a entrada ao paraíso.

Paulo Hartung, ex-governador (maior estrategista do estado), segue sem mandato. Mais quatro anos ausente pode cair no esquecimento, ou em desgraça, a partir dos ataques daqueles que 'devem' destruir quem lidera a concepção política local.

A executiva estadual do PMDB, presidida pelo deputado federal Lelo Coimbra, enviou o ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon, à casa de Valadão, para dar o ponta-pé inicial ao debate do partido sobre candidatura própria ou não. Contudo, acredito, sabendo o que iria ouvir.

Os diretórios municipais peemedebistas fizeram Guerino anotar folhas e folhas (para levar à direção) de uma única mensagem/exigência: saia de cima do muro, devemos ter candidatura própria.

E cá prá nós: essa iniciativa de ouvir as bases não é atoa; no mínimo, ela pretende coletar o clamor interno para servir de justificativa para Hartung se lançar candidato, lá pra junho. 

Para os mais atentos, as consultorias e palestras pelo estado afora foram atos para se manter sempre próximo das principais lideranças políticas. Hartung, desde que deixou o poder, nunca deixou de fazer campanha política. Com isso, sempre manteve a unidade política mutante que criou sob seu domínio.

Alguém pode questionar: Renato Casagrande (PSB) não faz parte? Faz. Fez. Desagradou. Não faz mais. Resultado: vai ter disputa.

Os peemedebistas do sul do estado cobraram... melhor, impuseram posicionamento. Embora Hartung seja o cara de maior capital político do partido, ele não é amado. E Guerino levou muita queixa do diretório cachoeirense, que é "manda-brasa", como afirmou a presidente Elisete de Paula Pires.

Poderia ter deixado o governo em 2008, concorrendo a prefeitura de Vitória, por exemplo, com a finalidade de deixar o cargo para o PMDB, já que o vice era Ricardo. Em 2010, trocou Ricardo por Casagrande - em condições obscuras - tirando o topo do poder estadual do partido. Fora as insatisfações pontuais, nos municípios...

Porém, Hartung é a 'grife' do momento. Marca esta que não pode se dar o luxo de mais quatro anos de anonimato (ele sabe disso), e nem de desagradar a base. Por isso, ele (PH) envia interlocutores para jogar lenha no fogo perpétuo peemedebista de candidatura própria, para alegar, logo, que não pode ir contra o incêndio. 

O melhor: tudo indica que haverá disputa eleitoral neste ano; ou seja, a população terá a oportunidade de avaliação e escolha. 



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